domingo, 30 de setembro de 2012

Não e não...



não visto mais teu encanto
não sou dos teus olhos, o pranto

não é minha a mordida
dessa tua saudade em riste

dói-me o pensamento que cuspo
e em mim ainda, mora e persiste

não visto mais tuas  mãos
não sou dos riscos teus, delirio e grito

dói-me saber dos teus versos
o sumo, o suco, escombros e o inverso

não é meu o miolo da tua ferida
onde moram teu sol, tua terra e tua lua

não visto mais tuas saídas
não sou eu, teu vício, tua lida, tua poesia...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Cansaço...



cansada
da pele
em pétalas
dos nós,
nos pés

cansada
do pó
nos sonhos
das dores,
nos poros

cansada
do rosa
in feto
dos solos
sem flores

cansada
dos sóis
em  anzóis
dos versos
em avesso

cansada
das letras
em sangue,
no silêncio
dos dedos...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ecos...











havia mãos a sangrar
e sagrar o minuto faminto
olhos e tez do tempo

do que escorria
dedos em branco e negro
lágrimas em elos

tão pouco era pele
tão pouco era matéria
tantas eram as pérolas

só, de joelhos , alma
só, sem caminhos, nós
só, somente só, pó

arrancadas as garras
marfim sagrado, sedento
amaldiçoando momentos

benditos todos os dentes
benditos todos os ritos
santificadamente malditos

havia de colher
dores penduradas em folhas
nas linhas no avesso do espelho...

de um purgar ventre
abortar a carne tecida, vadia
parir e ouvir sinfonias

mel, dias, melodias
arias e sóis menores distantes
sonhos, ecos de um sempre...


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

16


1.
tem sede a noite
num setembro tão quente
a água faz falta

2.
na ponta dos pés
busca tocar as estrelas
a menina dos olhos

3.
pata à pata
trevos de cinco folhas
desenha o gato

sábado, 1 de setembro de 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sem eco...



há a falta
no meio da letra
engasgo
dos dedos

salivam
 palavras em vão
nos vãos,
dos desejos

sem janelas
ferem-me
as trincas
garganta adentro

não fosse
do silêncio
as vestimentas minhas
rasgaria linguas

dessas tantas
que torcem
retorcem a carne
e nada dizem

minhas,
tão minhas
línguas sem ecos
sem rimas...

sábado, 25 de agosto de 2012

Desencontros...










e assim
famélicos
meus gestos
abstinência
ingerem...

um, dois
três versos
sem nexo
indigestos,
espero

na linha
sem vida
poesia
meus dedos
ensaiam...

ao acaso
verbos
palavras
perdem-se
no espaço...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

15



1.
esticou cabelos
em meio ao muro branco
um verde tem sede

2.
piam os pardais
na inquietude da seca
são duras as penas

3.
tão quente o dia
esqueceu-se do inverno
o senhor do tempo



Agonia...















era torto o riso indefeso
e a madrugada de olhos acesos
queimou sem medo mãos ao avesso

do que foi, do que passou
nada, só nós entre os dedos
só pó no caminho do meio

restava vestir-se de versos
sentar-se na porta da poesia
fingir e fingir uma dor alheia

na espera do que não veio
no degrau de tantos  defeitos
beber e vomitar  devaneios

foi a esmo todo um dia
tão prolongado por uma vida
do batismo à morte, um só suspiro...

agonia...