sexta-feira, 24 de agosto de 2012

15



1.
esticou cabelos
em meio ao muro branco
um verde tem sede

2.
piam os pardais
na inquietude da seca
são duras as penas

3.
tão quente o dia
esqueceu-se do inverno
o senhor do tempo



Agonia...















era torto o riso indefeso
e a madrugada de olhos acesos
queimou sem medo mãos ao avesso

do que foi, do que passou
nada, só nós entre os dedos
só pó no caminho do meio

restava vestir-se de versos
sentar-se na porta da poesia
fingir e fingir uma dor alheia

na espera do que não veio
no degrau de tantos  defeitos
beber e vomitar  devaneios

foi a esmo todo um dia
tão prolongado por uma vida
do batismo à morte, um só suspiro...

agonia...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Gritos...

tenho lanhado meus sonhos
nessas vestes de sóis ilusórios

do amarelo, só o riso e deboche
faróis a cegar da alma, os olhos

ao exibir minhas vísceras
abro em flor minhas feridas

pétala à pétala, dia à dia
bebo dessa carne, os gritos...

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Noite





é do silêncio
  a  fome, é  saudade
      teu nome...

domingo, 29 de julho de 2012

14










1.
é tanta chuva
a rasgar a pele das nuvens
banham-se as ruas

2.
de pingo em pingo
uma música na janela
molha o domingo

3.
fome, frio, arrepio
um corpo sem agasalho
lá fora, chora

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Erro...



porque era tão e tanto
já não bastava caber-se
era preciso evadir-se

o medo da voz
o medo das mãos
o medo dos olhos

em mordaças de aço
encobriram-se as palavras,
nenhum passo atrás

não ouvir o apelo
não ouvir veias, castigar a face
em todas as frestas

porque não era uma
partiu-se ao meio, surda
do carinho ali,  aos gritos

perdeu-se, sem retorno
do gelo, areia a esmo
ao vento,  esquecida...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Resgate...



eu quero uma vida
só minha, juntar os fiapos
dos dias,  limpar o chão
abrir e varrer os porões

e ao sol que boceja
escancarar minhas gavetas
mãos estendidas feito rede
quarando de vez os segredos

eu quero uma casa
de letras, tão cheia de sinais
consoantes e vogais, talvez
reticências, sem pontos finais

e de dieta, em plena lua cheia
rasgar das paredes os medos
estilhaçar todas as telhas
cuidar e embalar poesias

eu quero uma alma
que em nada se encaixe
deboche de minha imagem
e por fim da carne, resgate-me

sábado, 21 de julho de 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Encostas...













de um quando infante
engatinham em meus olhos
sombras de um antes

desses que mostram-se
e escondem-se... namoram-me
 pensamentos

brincadeira de criança,
batem-me e assopram-me
gostos entre os dentes

desconheço das janelas
o lado de fora, só é tato
 a pétala do acaso

depois do instante
vestido de quases...
lampeja-me o medo

num canto qualquer
resguardo meus achos
encosto palavras....

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Nuvens...



caem-me aos cântaros
todos aqueles desejos
vêm, descem dos céus
como chuva de janeiro

é inverno, toda a lágrima
um dia mágoa, sem desculpa
de gelo minhas mãos, circunda
sem desculpas,  minha culpa

e nada, nada diz a lua
cúmplice das nuvens
em  um quarto de fases
esconde a bela face

doi-me o silêncio,
dói-me a palavra presa
nesse anzol de águas,
sem sol, só nuvens...

dói-me esse nunca,
dói-me a nuca
arrepiando cabelos
aos olhos do desprezo

caem, desmaiam,
desconhecem-me
falecem os desejos
nuvens, só nuvens...