terça-feira, 14 de agosto de 2012

Gritos...

tenho lanhado meus sonhos
nessas vestes de sóis ilusórios

do amarelo, só o riso e deboche
faróis a cegar da alma, os olhos

ao exibir minhas vísceras
abro em flor minhas feridas

pétala à pétala, dia à dia
bebo dessa carne, os gritos...

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Noite





é do silêncio
  a  fome, é  saudade
      teu nome...

domingo, 29 de julho de 2012

14










1.
é tanta chuva
a rasgar a pele das nuvens
banham-se as ruas

2.
de pingo em pingo
uma música na janela
molha o domingo

3.
fome, frio, arrepio
um corpo sem agasalho
lá fora, chora

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Erro...



porque era tão e tanto
já não bastava caber-se
era preciso evadir-se

o medo da voz
o medo das mãos
o medo dos olhos

em mordaças de aço
encobriram-se as palavras,
nenhum passo atrás

não ouvir o apelo
não ouvir veias, castigar a face
em todas as frestas

porque não era uma
partiu-se ao meio, surda
do carinho ali,  aos gritos

perdeu-se, sem retorno
do gelo, areia a esmo
ao vento,  esquecida...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Resgate...



eu quero uma vida
só minha, juntar os fiapos
dos dias,  limpar o chão
abrir e varrer os porões

e ao sol que boceja
escancarar minhas gavetas
mãos estendidas feito rede
quarando de vez os segredos

eu quero uma casa
de letras, tão cheia de sinais
consoantes e vogais, talvez
reticências, sem pontos finais

e de dieta, em plena lua cheia
rasgar das paredes os medos
estilhaçar todas as telhas
cuidar e embalar poesias

eu quero uma alma
que em nada se encaixe
deboche de minha imagem
e por fim da carne, resgate-me

sábado, 21 de julho de 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Encostas...













de um quando infante
engatinham em meus olhos
sombras de um antes

desses que mostram-se
e escondem-se... namoram-me
 pensamentos

brincadeira de criança,
batem-me e assopram-me
gostos entre os dentes

desconheço das janelas
o lado de fora, só é tato
 a pétala do acaso

depois do instante
vestido de quases...
lampeja-me o medo

num canto qualquer
resguardo meus achos
encosto palavras....

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Nuvens...



caem-me aos cântaros
todos aqueles desejos
vêm, descem dos céus
como chuva de janeiro

é inverno, toda a lágrima
um dia mágoa, sem desculpa
de gelo minhas mãos, circunda
sem desculpas,  minha culpa

e nada, nada diz a lua
cúmplice das nuvens
em  um quarto de fases
esconde a bela face

doi-me o silêncio,
dói-me a palavra presa
nesse anzol de águas,
sem sol, só nuvens...

dói-me esse nunca,
dói-me a nuca
arrepiando cabelos
aos olhos do desprezo

caem, desmaiam,
desconhecem-me
falecem os desejos
nuvens, só nuvens...

sábado, 14 de julho de 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

tão pouco...

















um pouco de tudo
nesse fim de mundo
confins de confissões
caricatas  e absurdas

na ponta da agulha
nem fio, nem olhos
só um pedaço do nó
esquecido pelo pó

lanhada, temperada
ao sugo, verte a flor
tolices, achando ser cor
a névoa de sua dor

mesmices
querendo ser semente,
um solo sem  estrelas
estéreis dedos, riscam...

megalomaníaca, a letra
pensando ser do sol, a lua
derrama seu resto de vida
sobre o véu da poesia...

um pouco de tudo
nesse fim de mundo,
confissões, tolices
bobagens, catarses