terça-feira, 17 de julho de 2012

Encostas...













de um quando infante
engatinham em meus olhos
sombras de um antes

desses que mostram-se
e escondem-se... namoram-me
 pensamentos

brincadeira de criança,
batem-me e assopram-me
gostos entre os dentes

desconheço das janelas
o lado de fora, só é tato
 a pétala do acaso

depois do instante
vestido de quases...
lampeja-me o medo

num canto qualquer
resguardo meus achos
encosto palavras....

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Nuvens...



caem-me aos cântaros
todos aqueles desejos
vêm, descem dos céus
como chuva de janeiro

é inverno, toda a lágrima
um dia mágoa, sem desculpa
de gelo minhas mãos, circunda
sem desculpas,  minha culpa

e nada, nada diz a lua
cúmplice das nuvens
em  um quarto de fases
esconde a bela face

doi-me o silêncio,
dói-me a palavra presa
nesse anzol de águas,
sem sol, só nuvens...

dói-me esse nunca,
dói-me a nuca
arrepiando cabelos
aos olhos do desprezo

caem, desmaiam,
desconhecem-me
falecem os desejos
nuvens, só nuvens...

sábado, 14 de julho de 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

tão pouco...

















um pouco de tudo
nesse fim de mundo
confins de confissões
caricatas  e absurdas

na ponta da agulha
nem fio, nem olhos
só um pedaço do nó
esquecido pelo pó

lanhada, temperada
ao sugo, verte a flor
tolices, achando ser cor
a névoa de sua dor

mesmices
querendo ser semente,
um solo sem  estrelas
estéreis dedos, riscam...

megalomaníaca, a letra
pensando ser do sol, a lua
derrama seu resto de vida
sobre o véu da poesia...

um pouco de tudo
nesse fim de mundo,
confissões, tolices
bobagens, catarses

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Acho...









 dos labios
ao umbigo
floresce
um caminho

dos olhos
à nuca
andarilham
gêmidos

das mãos
ao coração
poetizam
paixões

das letras
às estrelas 
mero acaso
eu acho...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

12



1.
um par de sapatos,
pedem as mãos ao inverno-
ainda têm fé, os pés

2.
garoa na vidraça
olhos e coração, embaça-
nem tudo passa

3.
num pentagrama
do dia se despedem os pássaros
triste é a prece 



domingo, 8 de julho de 2012

Eras...














era das uvas
o sabor do dia
cascas e chuva

era do vinho
o cheiro das horas
instantes, pele, colo...

era uma era
ao alcance dos olhos
escorrida e já morta

não importa...
era o grito dos versos
em meio às trevas

uma poesia ainda quente
no gelo verde das eras
tão amarelas...

erraram as eras
não importa... havia o beijo
das almas em meio às letras...

sábado, 7 de julho de 2012

Basta...













se conheço dos sóis
os gestos de desprezo
vislumbro nas cores do dia
o instante de um "chega"

naqueles torrões de terra
onde em água-viva tive pés
colhi nos sonhos das margaridas
a  tristeza de uma flor sem fé

não é das mãos a dor que escorre,
ou das trilhas solitárias em desdém
a agonia  das letras recém caídas,
são dos sonhos, dor e agonia

sonhos que ferem, machucam
arrancam das pupilas, o riso,
ferem e brotam em palavras virgens,
cálice, prece, coágulos, missa...

é hora do basta
um  não aos sonhos
uma lápide aos olhos,
renúncia e sacrifício....

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Segredo

















 o quê sabe
de minhas metáforas
o quê enxerga
em minhas palavras
há de ser,  nada....

cegos véus
de meus eus,  olhos teus
aqueles que não me leem,
mas  insiste em tua alma
a minha procurar

 o quê mastiga
de minhas letras
o quê engole
de meus versos
há de ser,  espera

esses círculos
essas esferas
vícios meus, minhas feras
mãos sempre em cio
sempre tua,  a poesia

o quê presencia
de meus arremedos,
o quê escrevo
nas entrelinhas
há de ser,  segredo

Teias...










em restos,  teço-me
desembaraço a pele
embaraço-me em teias

estendidos rituais
aos punhais e à lua
alinhavo minhas veias

tão dentro de mim
descasco horas, sem fome
sem nome, esqueço-me

aos meus porões
arrasto letras, verdes
e maduros segredos

medro, meço-me
tessitura, textura
fissuras

gotejo
enlouqueço
escrevo...