sábado, 14 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
tão pouco...
um pouco de tudo
nesse fim de mundo
confins de confissões
caricatas e absurdas
na ponta da agulha
nem fio, nem olhos
só um pedaço do nó
esquecido pelo pó
lanhada, temperada
ao sugo, verte a flor
tolices, achando ser cor
a névoa de sua dor
mesmices
querendo ser semente,
um solo sem estrelas
estéreis dedos, riscam...
megalomaníaca, a letra
pensando ser do sol, a lua
derrama seu resto de vida
sobre o véu da poesia...
um pouco de tudo
nesse fim de mundo,
confissões, tolices
bobagens, catarses
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Acho...
dos labios
ao umbigo
floresce
um caminho
dos olhos
à nuca
andarilham
gêmidos
das mãos
ao coração
poetizam
paixões
das letras
às estrelas
mero acaso
eu acho...
segunda-feira, 9 de julho de 2012
12
1.
um par de sapatos,
pedem as mãos ao inverno-
ainda têm fé, os pés
2.
garoa na vidraça
olhos e coração, embaça-
nem tudo passa
3.
num pentagrama
do dia se despedem os pássaros
triste é a prece
domingo, 8 de julho de 2012
Eras...
era das uvas
o sabor do dia
cascas e chuva
era do vinho
o cheiro das horas
instantes, pele, colo...
era uma era
ao alcance dos olhos
escorrida e já morta
não importa...
era o grito dos versos
em meio às trevas
uma poesia ainda quente
no gelo verde das eras
tão amarelas...
erraram as eras
não importa... havia o beijo
das almas em meio às letras...
sábado, 7 de julho de 2012
Basta...
se conheço dos sóis
os gestos de desprezo
vislumbro nas cores do dia
o instante de um "chega"
naqueles torrões de terra
onde em água-viva tive pés
colhi nos sonhos das margaridas
a tristeza de uma flor sem fé
não é das mãos a dor que escorre,
ou das trilhas solitárias em desdém
a agonia das letras recém caídas,
são dos sonhos, dor e agonia
sonhos que ferem, machucam
arrancam das pupilas, o riso,
ferem e brotam em palavras virgens,
cálice, prece, coágulos, missa...
é hora do basta
um não aos sonhos
uma lápide aos olhos,
renúncia e sacrifício....
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Segredo
o quê sabe
de minhas metáforas
o quê enxerga
em minhas palavras
há de ser, nada....
cegos véus
de meus eus, olhos teus
aqueles que não me leem,
mas insiste em tua alma
a minha procurar
o quê mastiga
de minhas letras
o quê engole
de meus versos
há de ser, espera
esses círculos
essas esferas
vícios meus, minhas feras
mãos sempre em cio
sempre tua, a poesia
o quê presencia
de meus arremedos,
o quê escrevo
nas entrelinhas
há de ser, segredo
Teias...
em restos, teço-me
desembaraço a pele
embaraço-me em teias
estendidos rituais
aos punhais e à lua
alinhavo minhas veias
tão dentro de mim
descasco horas, sem fome
sem nome, esqueço-me
aos meus porões
arrasto letras, verdes
e maduros segredos
medro, meço-me
tessitura, textura
fissuras
gotejo
enlouqueço
escrevo...
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Palavras...
o quê me inunda
são as pedras desses muros
pedras brutas, espiãs
em águas turvas
diz-me a pele
das rosas desse cárcere
um cultivo de espinhos
à olhos nus
se é na carne
das letras, na dor
o espasmo dessas águas,
nego-me aos versos...
pedras, rosas,
pele, espinhos, olhos
são palavras, apenas
palavras...
domingo, 1 de julho de 2012
Só...
jantando gêmidos
aqui e ali, habitei
cansaço
tantos cacos
fincados em pratos
mastigando amanhãs
não, não quero mais
os versos nas pontas
dos garfos
a beira da estrada é minha
deixo a mesa, as facas,
a fome e a sede
em mim, encaminho-me
não te sirvo, sigo eu
sozinha...
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