quinta-feira, 12 de julho de 2012

Acho...









 dos labios
ao umbigo
floresce
um caminho

dos olhos
à nuca
andarilham
gêmidos

das mãos
ao coração
poetizam
paixões

das letras
às estrelas 
mero acaso
eu acho...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

12



1.
um par de sapatos,
pedem as mãos ao inverno-
ainda têm fé, os pés

2.
garoa na vidraça
olhos e coração, embaça-
nem tudo passa

3.
num pentagrama
do dia se despedem os pássaros
triste é a prece 



domingo, 8 de julho de 2012

Eras...














era das uvas
o sabor do dia
cascas e chuva

era do vinho
o cheiro das horas
instantes, pele, colo...

era uma era
ao alcance dos olhos
escorrida e já morta

não importa...
era o grito dos versos
em meio às trevas

uma poesia ainda quente
no gelo verde das eras
tão amarelas...

erraram as eras
não importa... havia o beijo
das almas em meio às letras...

sábado, 7 de julho de 2012

Basta...













se conheço dos sóis
os gestos de desprezo
vislumbro nas cores do dia
o instante de um "chega"

naqueles torrões de terra
onde em água-viva tive pés
colhi nos sonhos das margaridas
a  tristeza de uma flor sem fé

não é das mãos a dor que escorre,
ou das trilhas solitárias em desdém
a agonia  das letras recém caídas,
são dos sonhos, dor e agonia

sonhos que ferem, machucam
arrancam das pupilas, o riso,
ferem e brotam em palavras virgens,
cálice, prece, coágulos, missa...

é hora do basta
um  não aos sonhos
uma lápide aos olhos,
renúncia e sacrifício....

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Segredo

















 o quê sabe
de minhas metáforas
o quê enxerga
em minhas palavras
há de ser,  nada....

cegos véus
de meus eus,  olhos teus
aqueles que não me leem,
mas  insiste em tua alma
a minha procurar

 o quê mastiga
de minhas letras
o quê engole
de meus versos
há de ser,  espera

esses círculos
essas esferas
vícios meus, minhas feras
mãos sempre em cio
sempre tua,  a poesia

o quê presencia
de meus arremedos,
o quê escrevo
nas entrelinhas
há de ser,  segredo

Teias...










em restos,  teço-me
desembaraço a pele
embaraço-me em teias

estendidos rituais
aos punhais e à lua
alinhavo minhas veias

tão dentro de mim
descasco horas, sem fome
sem nome, esqueço-me

aos meus porões
arrasto letras, verdes
e maduros segredos

medro, meço-me
tessitura, textura
fissuras

gotejo
enlouqueço
escrevo...


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Palavras...














 o quê me inunda
são as pedras desses muros
pedras brutas, espiãs
em águas turvas

diz-me a pele
das rosas desse cárcere
um cultivo de espinhos
à olhos nus

se é na carne
das letras, na dor
o espasmo dessas águas,
nego-me aos versos...

pedras, rosas,
pele, espinhos, olhos
são palavras, apenas
   palavras...

domingo, 1 de julho de 2012

Só...















jantando gêmidos
aqui e ali,  habitei
   cansaço

   tantos cacos
fincados em pratos
mastigando amanhãs

não, não quero mais
os versos nas pontas
   dos garfos

a beira da estrada é minha
deixo a mesa,  as facas,
 a fome e a sede

em mim, encaminho-me
não te sirvo, sigo eu
    sozinha...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Cárcere












num cárcere de letras
sonha a carne minha
tocar  no fio do espelho
o doce gume da poesia

do etéreo, desejo sins,
já não importam-me os pés
nessa fuga de minha terra
corto caules, corto elos

ilusão dos ombros meus
carregar entre as sombras
o sopro daquele poema
ainda feto, ainda infecto

ao fogo de tantas lágrimas,
insisto, nada existe, nada resiste
farta a palavra entre os dentes
num grito mudo, cala-se, espera

só mais um passo
só mais um corte
enfim deixar o cárcere
matar da poesia, a carne....


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Cismo...












cismo
ainda
com as cinzas
um ir
e vir
gritam..


cismo
ainda
com as rosas
um ir
e vir
brotam

cismo
ainda
com  o desdém
um ir
e vir
além...

cismo
ainda
com as rezas
um ir
e vir
esperam ...