segunda-feira, 18 de junho de 2012
Auto Flagelo
dó, dói,
duas, tres doses
metáforas, blues, arte
vinagre
coisas, foices
lama e gume
lingua, salitre
descarte
espinho, ninho
catre da carne
palavra, tão tarde
esvai-se...
ah, como debocho
desses meus pés que me faltam
das pobres mãos que espasmam
esculpindo minha lápide
tudo é flagelo
do toque ao beijo
fla- ge - lo e devaneios
pedras que ardem
mareja a pele
meu asco, amarro,
pupilas de aço
navalham-me...
sábado, 16 de junho de 2012
Disfarce...
recebo em branco
palavras dúbias, dúvidas
mão dupla, tortura
maçãs agridoces
em pratos de amargura
ansiando minhas unhas
e desses lamentos em carne viva
tão fundo desejam, imploram
de meus dedos, o abismo...
descasco, encaro meus frutos
ouço deles, ais, tantos gritos
a escorrerem de mim, líquidos...
música, música e música
caminhos, encruzilhada, navalhas
insistem, dúvidas, dúvidas...
ainda em pedaços, aos nacos
palavras, difarces, quases
escondem de mim, suas faces...
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Presa...
cansam-me as horas
num verso que já morto
vive em minhas costas
tivesse minha alma, asas
sob o negro gume da palavra
libertariam-m a carne
ao contrario do que pensam
asas, sugam, consomem
ossos, pó, verbos
é o preço, é o peso
sem asas, sem trocas
presa... letras, aborto
terça-feira, 5 de junho de 2012
E...
há brechas no medo
lascas entre parênteses
saliva, suor, apelo...
um cio descalço
silêncio e segredo
caminhando no peito
liquida...
ventre do desejo
fome, vinho, palavras
seda em degredo
um tudo ao meio-
nos lábios das letras
riachos, despejo...
quinta-feira, 31 de maio de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
Finito...
trincou ao meio
aquele músculo no peito
não houve, gesto ou jeito...
pedaços lado a lado
flores cegas e surdas
sangrando em caule seco
era tão simples a cura
colher um beijo sem culpa
um gole dos olhos, na nuca
mas...
veio o nada, o nada veio
racharam-se paredes e veias
morreu o amor, de fome e sede
terça-feira, 22 de maio de 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Nada...
enlaça-me o vazio
não há extensão do grito
só a garganta, vazia...
enlaça-me o nada
não há extensão da navalha
só um corte e o nada
enlaça-me o abismo
não há extensão dos passos
só o aconchego, do abismo
enlaça-me o vácuo
não há extensão da lágrima
só a represa, do vácuo
sábado, 19 de maio de 2012
Esse amor...
de que é feito esse amor
que do gelo aqueceu o fogo
sem concreto, sem terra
entre almas, entralaçou corpos
de que é feito esse amor
que na distância, só viu essência
em desejos incinerou a carne
desprezou todas as regras
de que é feito esse amor
que bebeu das nuvens, a chuva
das estrelas, amputou as unhas
das flores, colheu espinhos
não há matéria ou espírito
tão somente tantos misterios
nesse amor entre Psique e Éros..
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