quinta-feira, 31 de maio de 2012

domingo, 27 de maio de 2012

Finito...











trincou ao meio
aquele músculo no peito
não houve, gesto ou jeito...

pedaços lado a lado
flores cegas e surdas
sangrando em caule seco

era tão simples a cura
colher um  beijo sem culpa
um gole dos olhos, na nuca

mas...

veio o nada, o nada veio
racharam-se paredes e veias
morreu o amor,  de fome e sede

terça-feira, 22 de maio de 2012

10
















1.
arfam  as estrelas
coadjuvantes nas histórias
da boca da noite

2.
inquietas mãos
acendem de casa em casa
as luzes dos olhos

3.
na hora da fome
refrigerante e pipoca
a janta não espera


Anseios


 com a  faca
do seu desprezo, minhas
 letras, esquarteja...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Nada...















enlaça-me o vazio
não há extensão do grito
só a garganta,  vazia...

enlaça-me o nada
não há extensão da navalha
só um corte e o nada

enlaça-me o abismo
não há extensão dos passos
só o aconchego, do abismo

enlaça-me o vácuo
não há extensão da lágrima
só a represa, do vácuo

sábado, 19 de maio de 2012

Esse amor...




















de que é feito esse amor
que do gelo aqueceu o fogo
sem concreto, sem terra
entre almas, entralaçou corpos

de que é feito esse amor
que na distância, só viu essência
em desejos incinerou a carne
desprezou todas as regras

de que é feito esse amor
que bebeu das nuvens, a chuva
das estrelas, amputou as unhas
das flores, colheu espinhos

não há matéria ou espírito
tão somente tantos misterios
nesse amor entre Psique e Éros..

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Doce...














de imagem em imagem
centrifugo tuas palavras
fel em açúcar, disfarçado

eram doces, tuas mentiras
pútridas frases, mascaradas
perfídias carameladas..

tão doces, que é dor
a ausência do pecado
no beijo não dado

tão doces, que é amargo
o gosto das carícias
esquecidas ao acaso

tão doces, que na morte
apenas na morte, a paz
encontrará  sua resposta..

terça-feira, 15 de maio de 2012

09










1.
revela o vento
o amarelo entre o verde-
outono em êxtase

2.
tão pequenina
atravessou céus e nuvens
réstia divina

3.
sábio o felino
de nossa vã filosofia
alimenta os olhos

domingo, 13 de maio de 2012

Portas...


Arranhava a madeira dura e bruta. Lascou a carne muitas vezes nesse exercício de subserviência e foram poucas as vezes que aquela porta se abrira, infímas vezes para matar sua fome.  Sobrevivia a mercê das migalhas recebidas pelas frestas daquela alma tão caridosa...  Em dias de sorte um afago, um sorriso mais luminoso lhe enchia de esperanças.
Não se atrevia a deixar seu lugar, estava presa, presa àqueles farelos, o olhar fixo no mesmo ponto.
Um medo a impedia de olhar para os lados, atrás o vazio, à frente só existia a porta.

Ele confiante em seu poder, dentro do seu mundo deliciava-se com seus manjares e com suas aquisições adquiridas pela caça. Um predador vaidoso.  Vaidoso e cuidadoso. Mantinha ao seu alcance, uma, duas, três, mais e mais presas. Não era tão complicado. Muitas por trás de suas portas arrastavam-se em posição de devoção amorosa. Agendava sua atenção minuciosamente. Nada poderia dar errado.

Mas um belo dia transformou o egoísmo do seu sol em um buraco negro. A tempestade veio, veio o obscuro, o oco no fim do mundo. Ela, somente ela, dolorida e com frio, cansada de pedir que a acolhesse procurou outro abrigo. Ao girar seu corpo em outra direção, encontrou calor, luz e alimento... Num pequeno gesto, sem machucar-se, sem implorar, outra porta deu-lhe passagem, dessa vez iluminando-a por inteira. E ela,  viu-se plenamente acolhida e aceita.
Bastou  tão pouco, bastou ousar, bastou desviar o curso do seu olhar ...

sábado, 12 de maio de 2012

Do Fim...











estranho é o fim
deslexos versos pastam
na secura das letras

dias, meses, anos
palavras agonizam
nas labaredas dos dedos

nada há de restar
do pão amanhecido
nas barbas do medo

e aquele reflexo
que mente, pois mente
engolirá meus segredos

nesse espelho limpo
nem risos, nem linhas
apenas, cinzas, cinzas...