segunda-feira, 16 de abril de 2012
Insana Mente...
um instinto assassino
leva-me a perfurar letras
caracteres em sangue vivo
meu alívio
torço e retorço o gume
de uma adaga imaginaria,
no ventre da palavra
em cólicas
tosco, um grito
corcoveando o dorso
dos verbos doma
a furia...
ato insano
feroz, desumano
a carne em versos
desmanchando...
sem piedade
bebo entranhas, a morte
entre meus dedos
comemora....
Escritora? Eu?
Há dias venho pensando em como somos vaidosos e sem noção.
Lendo Machado de Assis, me dei conta de como é medíocre o que escrevo e quão pequenas são as minhas letras para que eu possa ser chamada de poetisa ou escritora.
Por mais que sangre meus dedos, e sangro, alguns até me faltam, não tenho a pretensão de me colocar num cenario literario como escritora de qualquer segmento.
A profundidade que Machado, Camus e Dostoievsk mergulham deixam qualquer leitor de olhos vidrados e a pele em gotas. Envergonho-me de um dia ter acreditado que pudesse ter algum talento. No entando acredito que nesse barco que passei a navegar, muitos outros também tentam fazer a travessia.
Travessia entre o banal e o genial. Ledo engano.
A grande maioria como eu, nada mais é do que um grupo de aspirantes e admiradores das letras.
Sei que posso ser presunçosa ou injusta ao emitir meu julgamento. Longe de mim estar aqui julgando ortograficamente ou gramaticalmente os blogueiros, os escritores que pululam sites e mais sites de literatura.
Mas, para mim, somos quase todos iludidos por elogios nem sempre sinceros.
Por isso optei por recolher minhas letras. Algumas de minhas palavras deixarei estendidas nos varais, até que de tão castigadas pelo ostracismo e ao relento se extinguam nos quintais que ocupei.
Fico aqui em meu canto solitario a destilar o veneno que corre em minha veias. Veneno que um dia não me oferecerá nada mais do que o fim, meu e de minhas letras. Veneno quimicamente dosado entre a dor e o dissabor. Se houve prazer, foi apenas para que um dia se transformasse em decepção e em deboche.
Hoje, eu mesma escarneço dos meus escritos, munida da consciência latente da minha insignificância.
Dor...
na dor, a carne
tem fome, nervos
e sonhos meus
morde...
convulsiono, tremo
labuto, é meu luto,
dentes afiados
escuto...
tão a esmo
arrasto correntes
vocifero, peço
silêncio
nada....
ninguém ao lado
são meus, os dardos,
os fardos
rasgada a paz
ossos e alma, em vão
o leito da lápide
imploram
no choro da pele
o cansaço me assola
sem pressa a dor
devora-me...
domingo, 15 de abril de 2012
As Brasileiras...
Já comentei em um outro texto a impressão que me causa esse seriado.
Como achei que ficou incompleto e não está postado no blog, vou discorrer mais um pouco sobre o tema.
Bem sei que trata-se de um programa lúdico e visa divertir de forma bem humorada seus expectadores.
Mas fico eu a matutar se quando reclamamos da imagem que nós mulheres temos fora do Brasil não temos uma parcela de culpa, sim, pois aplaudimos e assistimos nossa imagem vinculada à futilidade e ao erotismo.
Ainda não assisti a um episodio que retratasse a verdadeira mulher brasileira. Essas que enfrentam creches, que são donas de casa, profissionais, choram e riem. São femininas, claro, mas sem deixarem de lado sua essência.
São tantos os perfis que poderiam ser retratados, desde o mais humilde ao mais ostensivo. Desde àquelas que enfretam as filas do SUS em busca de uma consulta àquelas que fazem de suas vidas o voluntariado.
Jovens que enfrentam uma rotina em busca de um futuro melhor nas faculdades, outras que nem isso conseguem mas que labutam pelo seu dia a dia.
Amantes, amorosas, sensuais sim, mas não apenas isso, não só isso. Não apenas futilidade e sexualidade.
O quê vejo em Brasileiras, é o estereótipo da mulher, longe de ser o retrato da mulher brasileira.
Da Espera...
rasguei o véu da noite
na madrugada salpicada
por vultos e foices...
geme o hálito da pele
soluçando o sonho
que não veio
é do pesadelo
a pétala da espera
no vazio do peito...
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